COMPÓSITO REFORÇADO POR FIBRAS CURTAS OU PINO DE FIBRA DE VIDRO NA RECONSTRUÇÃO DE DENTES TRATADOS ENDODONTICAMENTE COM COROA TOTAL: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA
Resumo
A reconstrução de dentes tratados endodonticamente com grande perda coronária é um desafio clínico, e ainda não há consenso na literatura a respeito da superioridade entre o compósito reforçado por fibras curtas (SFRC) e o pino de fibra de vidro antes da coroa total, nem de suas indicações. Este trabalho teve como objetivo comparar os dois métodos por meio de revisão narrativa da literatura, considerando resistência à fratura, padrão de falha e reparabilidade. A busca foi feita na PubMed/MEDLINE, com descritores em inglês relacionados a compósito reforçado por fibras curtas, pino de fibra de vidro e dentes tratados endodonticamente, sem restrição de idioma nem de ano de publicação, e a leitura ocorreu entre 2 de setembro e 4 de outubro de 2026, resultando em 20 artigos (14 estudos in vitro, 4 revisões sistemáticas, 1 revisão da literatura e 1 ensaio clínico randomizado). Em pré-molares, a resistência à fratura do SFRC foi comparável à do pino em um estudo, com tendência a fraturas mais reparáveis (80 a 90% contra 50%), embora sem significância estatística. Em outros dois estudos, o pino apresentou maior resistência: um em incisivos e pré-molares, em comparação ao SFRC, e outro em incisivos, em comparação a restaurações sem pino. A vantagem mais consistente do SFRC foi a preservação de dentina radicular. Nenhum dos estudos analisados comparou os dois métodos sob coroa total, e a maioria é in vitro, com amostras pequenas e métodos heterogêneos. Conclui-se que não há evidência de superioridade de um método sobre o outro. Quanto à resistência à fratura, o desempenho foi comparável em pré-molares, mas o pino foi superior em incisivos; quanto ao padrão de falha e à reparabilidade, o SFRC tendeu a fraturas mais reparáveis, sem significância estatística. A escolha depende do remanescente dentário e do julgamento clínico, sendo necessários estudos sob coroa total e ensaios clínicos.