ETOLOGIA E HOMOSSEXULIDADE EM ANIMAIS: UM ESTUDO DE REVISÃO
Resumo
No início do século XX, os trabalhos científicos concluíram que o comportamento animal é altamente característico para cada espécie, passível de aplicabilidade como indicador taxonômico, no mesmo sentido em que são empregadas características morfológicas para este fim. Por conseguinte, a análise do instinto animal foi alvo de diversos estudos subsequentes, fomentando o surgimento de um novo ramo científico, a psicologia animal comparada, designada etologia. O comportamento nas interações sexuais intraespecíficas é diverso, sendo observado em muitas espécies no reino animal. Por conseguinte, alguns comportamentos sexuais exibidos são considerados distintos, por não apresentarem como finalidade a reprodução, a exemplo do comportamento homossexual. Perante o exposto, o objetivo do presente estudo foi realizar uma revisão bibliográfica acerca do comportamento homossexual animal não humano, em caráter descritivo e qualitativo. Como metodologia, foram realizadas pesquisas bibliográficas de abordagem descritiva e qualitativa. O primeiro relato científico deste tipo de comportamento foi descrito por Levick, em 1910. Nesse sentido e a partir de então, diversas pesquisas foram conduzidas e, consequentemente, inúmeros relatos evidenciaram a ocorrência desse comportamento no reino animal, em diferentes táxons, tanto para espécies mantidas em cativeiros ou em seu hábitat. Segundo Darwin e a teoria da seleção natural, qualquer interação sexual que minimize o sucesso reprodutivo da espécie não deveria ser selecionada, condicionando o comportamento homossexual como paradoxo da evolução ou paradoxo darwiniano. Em etologia, qualquer comportamento ou inclinação psicológica se baseiam em explicações partindo de quatro níveis ou concepção temporais de análise, complementares entre si e não reciprocamente excludentes, como causa, filogênese, função e ontogênese. Muitas hipóteses evolutivas foram propostas para esclarecer a eminente ocorrência do comportamento homossexual, recentemente descrito e documentado em número superior a 1.500 espécies. A etologia demanda alta complexidade para compreensão dos aspectos inerentes ao comportamento animal, sobre diferentes perspectivas ambientais e grau de adaptabilidade das diferentes espécies animais, mas necessariamente levando em conta também, aspectos genéticos, epigenéticos, bioquímicos, endócrinos, evolutivos, fenotípicos e neurobiológicos.