MUDANÇAS NO USO DA TERRA E EMISSÕES DE GEE: O PAPEL DO BRASIL NA CRISE CLIMÁTICA GLOBAL
Resumo
As mudanças climáticas configuram-se como um dos principais desafios socioambientais contemporâneos, resultantes, sobretudo, da intensificação das emissões de gases de efeito estufa associadas às atividades humanas. Este artigo analisa a contribuição do Brasil para o agravamento da crise climática global, com ênfase na relação entre agropecuária extensiva e desmatamento. Diferentemente dos países industrializados, cuja matriz de emissões está concentrada no setor energético, o perfil brasileiro destaca-se pela predominância das emissões oriundas da mudança no uso da terra e da agropecuária, especialmente nos biomas Amazônia e Cerrado. O avanço da fronteira agrícola, associado à pecuária bovina extensiva, promove a liberação de grandes quantidades de dióxido de carbono provenientes da biomassa e do solo, além de elevar as emissões de metano por meio da fermentação entérica. O estudo evidencia que esse modelo de desenvolvimento, baseado na conversão de ecossistemas naturais, intensifica os desequilíbrios climáticos, compromete serviços ecossistêmicos essenciais e amplia as desigualdades socioambientais, atingindo de forma mais severa populações vulneráveis. Conclui-se que a mitigação das mudanças climáticas no Brasil requer a redução do desmatamento, a transformação dos sistemas produtivos agropecuários e o fortalecimento de políticas públicas orientadas pela sustentabilidade e pela justiça climática.