DETERMINANTES DO BEM-ESTAR ANIMAL NA QUALIDADE DA CARNE SUÍNA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Resumo
O bem-estar animal (BEA) tem assumido papel central nos sistemas de produção suinícola, tanto sob a perspectiva ética quanto em função de sua influência direta sobre a qualidade da carne. Evidências científicas demonstram que condições inadequadas de manejo, especialmente no período pré-abate, comprometem a homeostase dos animais, intensificando respostas fisiológicas ao estresse e resultando em prejuízos tecnológicos e sensoriais nos produtos cárneos. Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os principais determinantes do bem-estar animal na caracterização da qualidade da carne suína, com ênfase nas práticas adotadas ao longo da cadeia produtiva e, particularmente, nas etapas de manejo pré-abate. A busca bibliográfica foi realizada nas bases SciELO, PubMed, Medline, Portal de Periódicos CAPES e Google Acadêmico, contemplando preferencialmente publicações entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Os resultados indicaram que fatores como transporte, densidade de alojamento, manejo durante o embarque e desembarque, tempo de jejum, condições ambientais e métodos de insensibilização exercem influência significativa sobre o BEA, refletindo-se em alterações metabólicas associadas à ocorrência de carnes PSE e DFD, além de perdas quantitativas por lesões e condenações de carcaças. Conclui-se que a adoção de práticas de manejo fundamentadas em evidências científicas, aliada ao cumprimento da legislação vigente e ao monitoramento por indicadores baseados no animal, constitui estratégia essencial para a melhoria do bem-estar dos suínos e para a obtenção de carne de qualidade superior.