ANESTESIOLOGIA EM CÃES SENIORES - CARACTERÍSTICAS, MONITORAÇÃO E PROTOCOLOS: revisão narrativa da literatura
Resumo
O atendimento a cães seniores são cada vez mais frequentes na clínica veterinária devido ao aumento da expectativa de vida. Esse aumento está relacionado ao progresso da medicina veterinária e aos cuidados preventivos oferecidos ao longo da vida, o que reflete em maior longevidade dos animais. Contudo, o envelhecimento traz alterações fisiológicas significativas, como a diminuição da elasticidade pulmonar, espessamento vascular, redução do débito cardíaco, disfunções hepáticas e renais, além da obesidade. Essas alterações comprometem a capacidade de compensação fisiológica, reduzem a oxigenação tecidual, atrasam a metabolização e a excreção de fármacos, aumentando o risco de complicações anestésicas. O manejo desses pacientes exige protocolos individualizados, baseados nos parâmetros obtidos na avaliação pré-anestésica, incluindo a classificação American Society of Anesthesiologists (ASA). Objetivou-se avaliar como anestésicos afetam os parâmetros vitais de um cão idoso, levando em consideração suas características fisiológicas. A Metodologia foi a revisão narrativa da literatura em fontes atualizadas buscadas em artigos científicos. Estudos demonstram que, com avaliação criteriosa e escolha adequada dos fármacos, é possível executar o procedimento de forma segura e eficaz, garantindo o bem-estar animal. Os protocolos mais utilizados incluem opioides como metadona e fentanil, agentes de indução rápida como propofol e manutenção com isoflurano, um anestésico geral inalatório. De acordo com a revisão, o uso de analgesia multimodal e bloqueios regionais, como a técnica de tumescência e infiltrações com lidocaína ou bupivacaína, mostrou-se eficaz, contribuindo para a redução do uso de anestésicos gerais. A monitorização contínua de parâmetros vitais durante o transoperatório, como frequência respiratória, frequência cardíaca, temperatura, oximetria e capnografia é importante para realizar intervenções rápidas em casos de efeitos adversos, como hipotermia, taquicardia e hipotensão, que podem ocorrer na administração de determinados anestésicos, principalmente em pacientes idosos.