A repetição do estranhamento: da notícia diagnóstica à inserção social e escolar em um diálogo entre psicanálise e fenomenologia

Autores

  • Wanda Mendes de Oliveira Centro Universitário Mário Palmério
  • Tatiana Benevides Magalhães Braga Universidade Federal de Uberlândia
  • Anamaria Silva Neves Universidade Federal de Uberlândia

Resumo

Este artigo investiga a experiência de estranhamento vivida por mães no momento da notícia do diagnóstico de deficiência de seus filhos, compreendendo tal vivência como constituída na articulação entre dimensões subjetivas e sociais. O diagnóstico é analisado como um acontecimento que rompe o horizonte de expectativas previamente construído, produzindo uma experiência na qual o familiar se torna inquietante, exigindo novas formas de significação. Nessa direção, o estranhamento é compreendido tanto como um efeito psíquico, relacionado à irrupção de sentidos que desestabilizam o reconhecimento, quanto como uma experiência vivida que reconfigura a relação da mãe com o filho, consigo mesma e com o mundo, sendo analisado em um diálogo entre a psicanálise e a fenomenologia. A pesquisa, de abordagem qualitativa, baseia-se em entrevistas com mães de crianças com deficiência, analisadas à luz da perspectiva fenomenológica. Os resultados evidenciam que o momento da notícia diagnóstica é frequentemente vivido como ruptura do ideal materno, atravessado por sentimentos de estranhamento, culpa, medo e isolamento, intensificados por práticas sociais excludentes e por expectativas normativas em torno da maternidade e do desenvolvimento infantil. Além disso, observa-se que o estranhamento não se restringe ao momento inicial do diagnóstico, mas se reinscreve na inserção social da criança, especialmente no contexto escolar. Conclui-se que a experiência do diagnóstico não é apenas individual, mas socialmente construída, exigindo transformações nas práticas de cuidado, educação e políticas públicas.

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Publicado

14/06/2026

Edição

Seção

Artigos