ORGANIZAR PARA COOPERAR E SER SUSTENTÁVEL: A EXPERIÊNCIA DE ESTUDANTES DE ADMINISTRAÇÃO NA CRIAÇÃO DE COOPERATIVAS FICTÍCIAS EM SALA DE AULA
Resumo
O presente estudo de caso explora, os desafios e potencialidades do cooperativismo brasileiro, utilizando como referência a simulação da cooperativa fictícia “Raízes do Cerrado”, idealizada por estudantes de Administração no contexto da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A região, marcada por dinamismo econômico e diversidade produtiva, apresenta também desigualdades socioeconômicas, desafios ambientais e barreiras de acesso a mercados para pequenos produtores. Nesse cenário, o cooperativismo emerge como alternativa estratégica para inclusão social, fortalecimento econômico local e promoção de práticas sustentáveis. A experiência relatada envolveu a criação de uma cooperativa de consumo sustentável voltada à comercialização de produtos orgânicos. Os estudantes foram desafiados a estruturar estatuto, modelo de governança, fontes de financiamento e estratégias alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Durante a simulação, dilemas reais foram enfrentados: o equilíbrio entre viabilidade econômica e sustentabilidade ambiental, a definição de mecanismos democráticos de decisão (“um membro, um voto” versus voto proporcional), o engajamento de comunidades com pouca tradição cooperativista e as contradições práticas na seleção de fornecedores sustentáveis, que podem elevar custos e limitar opções. Os depoimentos dos participantes evidenciam o impacto formativo da atividade, destacando a complexidade dos processos decisórios, a importância da participação democrática e a necessidade de conciliar valores cooperativistas com pressões de mercado. O exercício prático de simulação de assembleia geral permitiu vivenciar a dinâmica de convocação, deliberação, votação e registro formal das decisões, promovendo reflexão crítica sobre transparência, igualdade de voto e tomada coletiva de decisões. O estudo também discute as limitações econômicas e sociais das cooperativas, como dificuldades de acesso a crédito, fragilidades na gestão, burocracia estatal e conflitos internos. Ressalta-se o papel da governança democrática na longevidade das cooperativas e os dilemas éticos na escolha de fornecedores e na transparência em situações de crise. Por fim, destaca-se a relevância das práticas ESG e da educação continuada para garantir a distribuição justa de resultados, fortalecer a identidade cooperativista e contribuir para o desenvolvimento sustentável local, demonstrando que o cooperativismo, quando bem estruturado, pode ser agente de transformação social e econômica.