Filha/Esposa/Mãe: o projeto de mulher em Nísia Floresta
Resumo
Dionísia Gonçalves Pinto é considerada a primeira autora feminista brasileira produziu diversos tratados sobre a condição feminina voltados para o estabelecimento da estrutura para a reconstrução moral e social da sociedade brasileira. Partiu-se da pergunta “Qual o projeto de mulher para Nísia Floresta?”, tendo-se como objetivo compreender o projeto de mulher desenhado pela autora em seus textos. Optou-se, metodologicamente, por uma abordagem qualitativa realizada por meio de pesquisa bibliográfica com base em análise documental de fontes diretas, a saber, os textos Opúsculo Humanitário (1853), Fany ou o Modelo de Donzelas (1847) e Woman (1867), e fontes indiretas com base nos trabalhos que debatem a produção da autora. Após abordar a cronologia de vida e obra de Nísia Floresta, analisou-se o projeto de mulher defendido pela autora e baseado na tríade filha/esposa/mãe. Pouco da discussão feita pela autora é destinada ao papel de filha. Como filha, cabia à mulher a devoção aos pais, aos irmãos e aos “prazeres domésticos". O interesse, nas discussões de Nísia Floresta, foi dedicado à construção dos papéis de mãe e mulher, respectivamente, como modeladoras do homem na infância e na idade adulta. Percebe-se, neste, a idealização como educadora de filhos e regeneradora do homem, possível influência do positivismo de Comte. A aproximação ao positivismo possivelmente impediu o pensamento de Nísia Floresta de avançar no que tange à ampliação do papel da mulher. Valendo-se dos instrumentos disponíveis e permitidos à sua época, a autora pode ser considerada uma feminista relevante por avançar nas discussões sobre dignidade e respeito social das mulheres, especialmente na discussão da educação feminina.