SEMIÓTICA ARQUETÍPICA NO BRASIL: FUNDAMENTOS TEÓRICOS, PERCURSO METODOLÓGICO E CONTRIBUIÇÕES INTERPRETATIVAS PARA OS ESTUDOS DA LINGUAGEM
Resumo
O presente artigo tem por objetivo apresentar os fundamentos teóricos, o percurso metodológico e as contribuições interpretativas da Semiótica Arquetípica, campo de investigação genuinamente brasileiro que articula a tradição semiótica greimasiana e a psicologia analítica de C. G. Jung. Desenvolvida sistematicamente por Thiago Barbosa Soares a partir de 2020, essa abordagem teórico-metodológica propõe a superação do formalismo estrutural por meio de um modelo heurístico centrado no conceito de valência arquetípica e no traçado metodológico-heurístico, que integra as quatro fases constituintes da narrativa (Platão; Fiorin, 1993) e os quatro pontos das necessidades básicas de constituição arquetípica (Mark; Pearson, 2003). A partir de um recenseamento cronológico da produção publicada entre 2020 e 2025, o artigo examina as contribuições do campo para a investigação semiótica e interpretativa, destacando a inovação metodológica, o alargamento do conceito de arquétipo para o terreno discursivo, a reabilitação da dimensão simbólica como objeto legítimo de análise e a compreensão das narrativas midiáticas contemporâneas como mitologias modernas. A recente consolidação teórica na obra Arquiteturas do Sentido: linguagem, história e simbolismo (Soares, 2025) e a projeção internacional da abordagem no artigo "Beyond structural formalism: Archetypal Semiotics and the inferential turn in contemporary meaning analysis" (Soares, 2026, no prelo) demonstram que a Semiótica Arquetípica brasileira encontra-se em pleno processo de expansão e consolidação, oferecendo instrumentos renovados para a compreensão dos processos de significação que estruturam produções culturais eruditas e manifestações da cultura de massa.