ENTRE O SER E O NÃO-SER: UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA DA BRANQUITUDE NA EDUCAÇÃO E NO SABER

Autores

  • Wanda Mendes de Oliveira Centro Universitário Mário Palmério
  • Tatiana Benevides Magalhães Braga Universidade Federal de Uberlândia

Resumo

O artigo propõe uma análise crítica da branquitude enquanto categoria social, histórica e existencial, compreendida como elemento estruturante das relações étnico-raciais na sociedade contemporânea. Argumenta-se que a branquitude opera como norma hegemônica, posicionando-se como referência tácita de humanidade, racionalidade e legitimidade, o que contribui para a invisibilização de privilégios e para a naturalização de estruturas de poder historicamente constituídas. Embora situada em contextos específicos, essa normatividade permanece ativa, atravessando instituições, práticas culturais, processos educativos e formas de subjetivação. Sob uma perspectiva fenomenológica, a branquitude é compreendida para além da cor da pele, sendo analisada como experiência vivida e modo de ser-no-mundo, inscrita no corpo, na percepção e nas relações cotidianas. Enquanto horizonte de sentido, orienta expectativas, reconhecimentos e exclusões, muitas vezes de maneira implícita, influenciando o que é considerado conhecimento legítimo, comportamento adequado e trajetória socialmente válida. No campo educacional, essa normatividade manifesta-se na centralidade de epistemologias eurocentradas, na organização dos currículos, nas práticas pedagógicas e nos critérios de avaliação, contribuindo para a marginalização de saberes, histórias e experiências negras, indígenas e de outros povos não-brancos. Em vez de problematizar as desigualdades raciais, a educação frequentemente atua como instância de reprodução simbólica da branquitude, reforçando processos de silenciamento, deseducação e hierarquização racial, que sustentam a manutenção de privilégios. Conclui-se que o enfrentamento do racismo estrutural exige a tematização crítica da branquitude enquanto dispositivo relacional de poder, especialmente no âmbito educacional. Tal movimento implica desnaturalizar seus efeitos normativos, promover a pluralização epistemológica e favorecer práticas educativas comprometidas com a justiça racial, o reconhecimento da diferença e a transformação das relações sociais.

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Publicado

20/03/2026

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Artigos