Cadernos da FUCAMP https://revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos <p>A revista Cadernos da Fucamp, publicada pela Fundação Carmelitana Mário Palmério tem como escopo a publicação de trabalhos inéditos e originais na área de Educação, resultantes de pesquisas científicas e reflexões teóricas sobre práticas e políticas educacionais. Sua finalidade é disseminar, registrar, avaliar e divulgar a produção científica relevante, realizada pelas diversas instituições ligadas à Educação.</p> <p>Tem como público alvo todos aqueles interessados no conhecimento com especial ênfase à área da Educação, tais como: pesquisadores, professores, estudantes, empresários, consultores e demais interessados de qualquer natureza.</p> <p>A Revista Cadernos da Fucamp tem como foco a publicação de contribuições científicas inéditas e aquelas já apresentadas em eventos de natureza científica, nacionais e internacionais, no campo da Educação, decorrente de estudos e pesquisas acadêmicos de caráter teórico e/ou, empírico.</p> <p>Não realiza cobranças para submissão de artigos, bem como para sua publicação.</p> <p><strong>A periodicidade da publicação é fluxo contínuo.</strong></p> <p><strong>Qualis A3</strong></p> FUCAMP pt-BR Cadernos da FUCAMP 1678-1244 Os textos assinados são de responsabilidade dos autores, que cedem os direitos autorais à Revista. A repetição do estranhamento: da notícia diagnóstica à inserção social e escolar em um diálogo entre psicanálise e fenomenologia https://revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/4351 <p>Este artigo investiga a experiência de estranhamento vivida por mães no momento da notícia do diagnóstico de deficiência de seus filhos, compreendendo tal vivência como constituída na articulação entre dimensões subjetivas e sociais. O diagnóstico é analisado como um acontecimento que rompe o horizonte de expectativas previamente construído, produzindo uma experiência na qual o familiar se torna inquietante, exigindo novas formas de significação. Nessa direção, o estranhamento é compreendido tanto como um efeito psíquico, relacionado à irrupção de sentidos que desestabilizam o reconhecimento, quanto como uma experiência vivida que reconfigura a relação da mãe com o filho, consigo mesma e com o mundo, sendo analisado em um diálogo entre a psicanálise e a fenomenologia. A pesquisa, de abordagem qualitativa, baseia-se em entrevistas com mães de crianças com deficiência, analisadas à luz da perspectiva fenomenológica. Os resultados evidenciam que o momento da notícia diagnóstica é frequentemente vivido como ruptura do ideal materno, atravessado por sentimentos de estranhamento, culpa, medo e isolamento, intensificados por práticas sociais excludentes e por expectativas normativas em torno da maternidade e do desenvolvimento infantil. Além disso, observa-se que o estranhamento não se restringe ao momento inicial do diagnóstico, mas se reinscreve na inserção social da criança, especialmente no contexto escolar. Conclui-se que a experiência do diagnóstico não é apenas individual, mas socialmente construída, exigindo transformações nas práticas de cuidado, educação e políticas públicas.</p> Wanda Mendes de Oliveira Tatiana Benevides Magalhães Braga Anamaria Silva Neves Copyright (c) 2026 Cadernos da FUCAMP 2026-06-14 2026-06-14 52 LEI No 11.645/2008 E A TEMÁTICA INDÍGENA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: ABORDAGENS E RAREFAÇÕES NA REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO (2008–2025) https://revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/4342 <p>Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa de base bibliográfica, organizada como estudo documental no acervo da <em>Revista Brasileira de Educação</em>, que examina como a implementação da Lei nº 11.645/2008, no que se refere à temática indígena, é tratada no debate educacional publicado entre 2008 e 2025. O recorte analítico incide sobre o que essa produção permite observar acerca dos modos de abordagem do tema na educação básica em escolas não indígenas. A análise acompanha as referências e os recortes que os estudos acionam, as representações que se reiteram e as condições formativas que aparecem como suporte ou limite ao trabalho docente. O referencial teórico-conceitual articula colonialidade do poder, descolonização curricular e interculturalidade crítica, em diálogo com a pedagogia decolonial, como lentes para interpretar escolhas, visibilidades e apagamentos que atravessam o conhecimento escolar. Metodologicamente, o estudo combinou busca no acervo com descritores e critérios de elegibilidade previamente definidos, leitura integral do corpus e síntese temática orientada pela análise de conteúdo. Os resultados indicam limites recorrentes na tradução do marco legal em um trabalho curricular descolonizador, capaz de deslocar sentidos já cristalizados na cultura escolar e construir referências mais plurais para tratar a temática, e evidenciam a rarefação de estudos empíricos diretamente voltados a esse foco no acervo analisado, delineando uma agenda de pesquisa ainda pouco consolidada.</p> Rogeria Moreira Rezende Isobe Carlos Magno Naglis Vieira Copyright (c) 2026 Cadernos da FUCAMP 2026-06-14 2026-06-14 52 O COMPROMISSO NACIONAL CRIANÇA ALFABETIZADA: contradições entre o direito à alfabetização e a regulação por resultados https://revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/4370 <p>Este artigo analisa criticamente o Programa Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), instituído em 2023, situando-o na racionalidade gerencialista das políticas educacionais contemporâneas, marcadas pela regulação por resultados e pela centralidade da avaliação em larga escala. A investigação problematiza em que medida o programa, ao se apresentar como garantidor do direito à alfabetização, incorpora racionalidades que subordinam o processo educativo à lógica do desempenho e do controle. O objetivo é analisar criticamente as diretrizes do CNCA e seus dispositivos de indução, explicitando as contradições entre o discurso de garantia do direito e os mecanismos de regulação que estruturam sua implementação. Trata-se de pesquisa qualitativa, documental e bibliográfica, que adota a Pedagogia Histórico-Crítica (PHC) como referencial teórico e a abordagem do Ciclo de Políticas como aporte metodológico, com ênfase nos contextos de influência e de produção de texto. Os resultados indicam que o CNCA articula o vocabulário do direito à aprendizagem a instrumentos de padronização e controle, que operam como mecanismos de regulação do trabalho docente e de ressignificação da alfabetização, reduzindo-a a habilidades mensuráveis e consolidando uma pedagogia da produtividade. Conclui-se, na perspectiva da PHC, que a política expressa uma contradição estrutural: afirma a alfabetização como direito social e, simultaneamente, redefine-a nos limites do quantificável, com implicações para a autonomia docente e para a função social da escola pública.</p> Diule Cristina Jesus da Costa Valéria Moreira Rezende Copyright (c) 2026 2026-06-14 2026-06-14 52